quinta-feira, dezembro 27

2012 foi um ano em que conheci
pessoas maravilhosas
descobri que algumas
eu nunca tinha conhecido de fato
me afastei, me aproximei...
Quantas lágrimas, sorrisos, risadas, abraços.
Quantos momentos bons.
Alguns ruins, e que eu desejo esquecer logo...
Tantas coisas, tantos detalhes.
Mais um ano que fica pra trás, mais lembranças que ficarão para sempre.
Pessoas que eu desejo passar o ano de 2013
e outras que dou graças a Deus
por ter deixado em 2012...
Obrigada Deus, por todos esses dias
e momentos que me fizeram crescer
e obrigada por cada obstáculo superado!
Que venha 2013, com muito amor
alegria, paz, e Deus
por que sem Ele meus anos nada seriam.

Feliz final de 2012 e um ótimo começo de 2013.

,

segunda-feira, novembro 19

No mesmo instante em que recebemos pedras em nosso caminho, flores estão sendo plantadas mais longe. Quem desiste não as vê.

William Shakespeare
.

Mãe: "Doutora em desenvolvimento infantil e em relações humanas"

Uma mulher  foi renovar a sua carteira de motorista.
Pediram-lhe para informar qual era a sua profissão.

  Ela hesitou, sem saber bem como se classificar.
"O que eu pergunto é se tem um trabalho",  insistiu o funcionário.
"Claro que tenho um trabalho", exclamou.

 "Sou mãe".
 "Nós não consideramos "mãe" um trabalho.

 Vou colocar"Dona de casa",  disse o funcionário friamente.
 Não voltei a lembrar-me desta história

 até o dia em que me encontrei em situação idêntica.
 A pessoa que me atendeu era obviamente uma funcionária de carreira,
 segura, eficiente, dona da situação,
  perguntou:Qual é a sua ocupação?
 Não sei o que me fez dizer isto,

 as palavras simplesmente saltaram-me da
 boca para fora

 "Sou Doutora em Desenvolvimento Infantil e em Relações Humanas."

 A funcionária fez uma pausa,  a caneta de tinta permanente a apontar para o
 ar e olhou-me como quem diz que não ouviu bem.

 Eu repeti pausadamente, enfatizando as palavras mais significativas.
 Então reparei, maravilhada, como ela ia escrevendo, com tinta preta, no
 questionário oficial.

 Posso perguntar, disse-me ela com novo interesse,
 o que faz exatamente?

Calmamente, sem qualquer traço de agitação na voz,
 ouvi-me responder:

"Desenvolvo um programa a longo prazo (qualquer mãe faz isso), em
 laboratório e no campo experimental (normalmente eu teria dito dentro e
 fora de casa). Sou responsável por uma equipe  (minha família), e já recebi
 quatro projetos ( todas meninas).

Trabalho em regime de dedicação exclusiva (alguma mulher discorda???),
o grau de exigência é em nível de 14 horas por dia (para não dizer 24  horas).

 Houve um crescente tom de respeito na voz da funcionária que acabou de
 preencher o formulário, se levantou e, pessoalmente me abriu a porta.
 Quando cheguei em casa, com o título da minha carteira erguido, fui
 recebida pela minha equipe: uma com 13 anos,  outra com 7 e outra com 3
 anos.

Do andar de cima, pude ouvir o meu novo experimento (um bebê de seis
 meses), testando uma nova tonalidade de voz.

Senti-me triunfante!

Maternidade... que carreira gloriosa!

 Assim, as avós deviam ser chamadas
"Doutora-Sênior em Desenvolvimento Infantil e em Relações Humanas".

 As bisavós:
 "Doutora- Executiva- Sênior".

 E as tias:
"Doutora - Assistente".

 Uma homenagem carinhosa a todas as mulheres, mães, esposas, amigas,
 companheiras.

 Doutoras na Arte de fazer a vida melhor !!!

"Quando pequenas coisas deixam nosso dia mais bonito, é sinal que estamos aprendendo a cultivar a alegria."

sexta-feira, novembro 16

"E existem aquelas pessoas, que por mais distantes que estejam, ainda continuam perto. Aquelas, que passe o tempo que passar, serão sempre lembradas por algo que fizeram, falaram, mostraram, ou nos fizeram sentir. É isso. As pessoas são lembradas pelos sentimentos que despertaram em nós, e quanto maior o sentimento, maior se torna a pessoa."

 Caio Fernando Abreu
.

quarta-feira, novembro 14

Adeus Xekim.

Hoje estou muito triste, partiu um grande amigo.

O nosso amigo Xekim que todas conhecemos do blog.O Baú do Xekim faleceu hoje.
Descanse em Paz meu querido amigo.
Um beijinho daqui até ao Céu.

.


segunda-feira, novembro 12

Pouco importa saber
em que parte do mundo
nossos amigos se encontram
se podemos sentir na
alma que dentro de nós
e dentro deles há um espaço

reservado que nada
mais poderá preencher.

(Leticia Thompson)

Uma boa semana para todos.
Beijinhos

domingo, novembro 11

Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.

Madre Teresa de Calcuta


sábado, novembro 10

"A saudade é a memória do coração."

Há uma estrelinha no céu
 Que ninguém vê, senão eu
 

Faz hoje anos que partiste.
Tenho tantas saudades Pai.
♥♥♥♥♥♥♥

sexta-feira, novembro 2

Temos de ver todas as cicatrizes como algo belo.
Combinado?
 Este vai ser o nosso segredo. Porque, acredite em mim, uma cicatriz não se forma num morto.
Uma cicatriz significa: "Eu sobrevivi".

CaioF


terça-feira, outubro 30

sábado, outubro 27


" Fechei os olhos e pedi um favor ao vento: Leve tudo que for desnecessário. Ando cansada de bagagens pesadas. Daqui para frente apenas o que couber no bolso e no coração."

  Cora Coralina.

,

sexta-feira, outubro 26

sábado, outubro 20

14º Encontro das Amigas do Peito e do Coração

Foi  quase á cinco anos que descobri que tinha cancro da mama.
Desde esse dia muita coisa aconteceu na minha vida.
Foi um longo processo,não foi fácil,mas com força de vontade e muita ajuda tudo se consegue ultrapassar.
Tive a sorte de ter sempre apoio,tanto a nivel familiar como da parte de muitos amigos.
Aos 52 anos eu que nunca tinha pegado num computador (só mesmo para limpar o pó ao do meu filho)tentei pesquisar sobre a doença que me estava a atormentar,confesso que não é boa ideia,lê-se muita coisa que ainda nos deixam mais assustadas,mas penso que todas fazemos isso.
Mas foi a partir dessa pesquisa que encontrei alguns blogues de amigas que estavam a lutar com a mesma doença,outras amigas/os que mesmo não tendo a doença,mas que familiares ou amigos tiveram e que também apoiam a nossa luta.Descobri que afinal os medos,as incertezas que eu tinha eram comuns a todas,fui comentando,começamos a marcar uns encontros e fomo-nos conhecendo melhor.
Nasceu entre todas uma linda amizade.
Hoje em dia não conseguimos estar muito tempo sem nos vermos.
No dia 14 de outubro tivemos mais um grande encontro em Alhandra.

Como ao lado de grandes Guerreiras também temos grandes Homens,
São eles que nos têm apoiado sempre,e mais uma vez estiveram presentes.

Algumas fotos do nosso encontro.
Eu e as minhas gémeas do Coração...Lina e Teresa.

Eu a Estela,a Teresa e a Lina
A nossa Cinda sempre bem disposta.
A chegada das amigas do Norte que desta vez até alugaram um autocarro para virem todas juntas
.
.Este Foi o grupo musical que nos acompanhou toda a tarde
The DAFE - acoustic covers songs


.
Hora do almoço
A seguir ao almoço lá fomos nós beber um cafézinho
.
A alegria sempre presente

.O nosso bolo.
Estava delicioso
Obrigado Isabel Lencastre por teres organizado mais este encontro e  nos teres propocionado mais este dia maravilhoso
-

sábado, outubro 13

Tudo tem seu apogeu e seu declínio...

É natural que seja assim, todavia, quando tudo parece convergir para o que supomos o nada, eis que a vida ressurge, triunfante e bela!...

Novas folhas, novas flores, na infinita benção do recomeço! "
 Chico Xavier
.

sexta-feira, outubro 5

segunda-feira, outubro 1

Cada cicatriz que trago na alma é uma rosa, para eu me lembrar sempre, que sobrevivi aos espinhos.

Elza Nack,

Outubro Rosa

H I S T Ó R I A
Como surgiu:
   O movimento popular internacionalmente conhecido como Outubro Rosa é comemorado em todo o mundo. O nome remete à cor do laço rosa que simboliza, mundialmente, a luta contra o câncer de mama e estimula a participação da população, empresas e entidades. Este movimento começou nos Estados Unidos, onde vários Estados tinham ações isoladas referente ao câncer de mama e ou mamografia no mês de outubro, posteriormente com a aprovação do Congresso Americano o mês de Outubro se tornou o mês nacional (americano) de prevenção do câncer de mama.

   A história do Outubro Rosa remonta à última década do século 20, quando o laço cor-de-rosa, foi lançado pela Fundação Susan G. Komen for the Cure e distribuído aos participantes da primeira Corrida pela Cura, realizada em Nova York, em 1990 e, desde então, promovida anualmente na cidade (www.komen.org). 
   Em 1997, entidades das cidades de Yuba e Lodi nos Estados Unidos, começaram efetivamente a comemorar e fomentar ações voltadas a prevenção do câncer de mama, denominando como Outubro Rosa. Todas ações eram e são até hoje direcionadas a conscientização da prevenção pelo diagnóstico precoce. Para sensibilizar a população inicialmente as cidades se enfeitavam com os laços rosas, principalmente nos locais públicos, depois surgiram outras ações como corridas, desfile de modas com sobreviventes (de câncer de mama), partidas de boliche e etc. (www.pink-october.org).
   A ação de iluminar de rosa monumentos, prédios públicos, pontes, teatros e etc. surgiu posteriormente, e não há uma informação oficial, de como, quando e onde foi efetuada a primeira iluminação. O importante é que foi uma forma prática para que o Outubro Rosa tivesse uma expansão cada vez mais abrangente para a população e que, principalmente, pudesse ser replicada em qualquer lugar, bastando apenas adequar a iluminação já existente.
   A popularidade do Outubro Rosa alcançou o mundo de forma bonita, elegante e feminina, motivando e unindo diversos povos em em torno de tão nobre causa. Isso faz que a iluminação em rosa assuma importante papel, pois tornou-se uma leitura visual, compreendida em qualquer lugar no mundo.

 
 Foi em Outubro!
Um Outubro que eu nem sabia que lhe chamavam rosa!
Para mim foi um Outubro negro,do mais negro que alguma vez pensei que pudesse existir.
Foi à cinco anos que ao fazer uma  mamografia  de rotina eu soube que tinha cancro da mama.
Passou mais um ano e chegou mais um Outubro,também este negro...Tinha-me aparecido mais um cancro,desta vez na tiroide,fui operada a 14 de Outubro,desta vez pensei que não ia sobreviver,ainda a fazer tratamentos para o cancro da mama,muito fraca tanto fisicamente como psicológicamente,foi muito dificil passar por outra cirurgia.
Tive medo...muito medo.
Mas hoje estou aqui!
Penso que consegui ultrapassar tudo.
Mas não foi fácil,é preciso muita força de vontade e muita ajuda de toda uma equipa de bons profissionais de saúde como os do Hospital do Barreiro que tanto me têm ajudado.
Obrigado a todos!
Hoje gosto do mês de Outubro,hoje já consigo entender porque lhe chamam Rosa.
PORQUE !
 
.



quinta-feira, agosto 9

A relação das Mulheres com o WC



*Por que é que as mulheres demoram tanto tempo quando vão à casa de banho?*

O grande segredo de todas as mulheres a respeito da casa de banho é que, quando eras pequenina, a tua mamã levava-te à casa de banho, ensinava-te a limpar o tampo da sanita com papel
higiénico e depois punha tiras de papel cuidadosamente no perímetro da sanita.

Finalmente instruía-te: "nunca, nunca te sentes numa casa de banho pública!"

E depois ensinava-te a "posição", que consiste em balançar-te sobre a sanita
numa posição de sentar-se sem que o teu corpo tenha contacto com o tampo.

"A Posição" é uma das primeiras lições de vida de uma menina, importante necessária, que nos acompanha para o resto da vida. Mas ainda hoje, nos nossos anos de maioridade, "a posição" é dolorosamente difícil de manter, sobretudo quando a tua bexiga está quase a rebentar.

Quando *TENS* de ir a uma casa de banho pública, encontras uma fila enorme de mulheres que até parece que o Brad Pitt está lá dentro. Por isso, resignas-te a esperar, sorrindo amavelmente para as outras mulheres que também cruzam as pernas e os braços, discretamente, na posição oficial de tou aqui tou-me a mijar!".

Finalmente é a tua vez! E chega a típica "mãe com a menina que não aguenta ais" (a minha filhota já não aguenta mais, desculpe, vou passar à frente, que pena!). Então verificas por baixo de cada cubículo para ver se não há pernas. Estão todos ocupados.

Finalmente, abre-se um e lanças-te lá para dentro, quase derrubando a pessoa que ainda está a sair.

Entras e vês que a fechadura está estragada (está sempre!); não importa...

Penduras a mala no gancho que há na porta... QUAAAAAL? Nunca há gancho!!

Inspeccionas a zona, o chão está cheio de líquidos indefinidos e fétidos, e
não te atreves a pousá-la lá, por isso penduras a mala no pescoço enquanto
vês como balança debaixo de ti, sem contar que a alça te desarticula o pescoço, porque a mala está cheia de coisinhas que foste metendo lá para entro, durante 5 meses seguidos, e a maioria das quais não usas, mas que tens no caso de...

Mas, voltando à porta... como não tinha fechadura, a única opção é segurá-la com uma mão, enquanto com a outra baixas as calças num instante e pões-te na posição"...

AAAAHHHHHH... finalmente, que alívio... mas é aí que as tuas coxas começam a tremer... porque nisto tudo já estás suspensa no ar há dois minutos, com as pernas flexionadas, as cuecas a cortarem-te a circulação das coxas, um braço estendido a fazer força na porta e uma mala de 5 quilos a cortar-te o pescoço!

Gostarias de te sentar, mas não tiveste tempo para limpar a sanita nem a tapaste com papel; interiormente achas que não iria acontecer nada, mas a voz da tua mãe faz eco na tua cabeça *"nunca te sentes numa sanita pública"*, e então ficas na "posição de aguiazinha", com as pernas a tremer... e por uma falha no cálculo de distâncias, um finííííssimo fio do jacto salpica-te e molha-te até às meias!!

Com sorte não molhas os sapatos... é que adoptar "a posição" requer uma
grande concentração e perícia.

Para distanciar a tua mente dessa desgraça, procuras o rolo de papel
higiénico, maaaaaaaaaaas não hááááá!!! O suporte está vazio!

Então rezas aos céus para que, entre os 5 quilos de bugigangas que tens na
mala, pendurada ao pescoço, haja um miserável lenço de papel... mas para
procurar na tua mala tens de soltar a porta... ???? Duvidas um momento, mas não tens outro remédio. E quando soltas a porta, alguém a empurra, dá-te uma trolitada na cabeça que te deixa meio desorientada mas rapidamente tens de travá-la com um movimento rápido e brusco enquanto gritas OCUPAAAAAADOOOOOOOOO!!

E assim toda a gente que está à espera ouve a tua mensagem e já podes soltar a porta sem medo, ninguém vai tentar abri-la de novo (nisso as mulheres têm muito respeito umas pelas outras).

Encontras o lenço de papel!! Está todo enrugado, tipo um rolinho, mas não importa, fazes tudo para esticá-lo; finalmente consegues e limpas-te. Mas o lenço está tão velho e usado que já não absorve e molhas a mão toda; ou seja, valeu-te de muito o esforço de desenrugar o maldito lenço só com uma mão.

Ouves algures a voz de outra velha nas mesmas circunstâncias que tu "alguém tem um pedacinho de papel a mais?" Parva! Idiota!

Sem contar com o galo da marrada da porta, o linchamento da alça da mala, o suor que te corre pela testa, a mão a escorrer, a lembrança da tua mãe que estaria envergonhadíssima se te visse assim... porque ela nunca tocou numa sanita pública, porque, francamente, tu não sabes que doenças podes apanhar ali, que até podes ficar grávida (lembram-se??).... Estás exausta! Quando páras já não sentes as pernas, arranjas-te rapidíssimo e puxas o autoclismo a fazer malabarismos com um pé, muito importante!

Depois lá vais pró lavatório. Está tudo cheio de agua (ou xixi? lembras-te
do lenço de papel...), então não podes soltar a mala nem durante um segundo, pendura-la no teu ombro; não sabes como é que funciona a torneira com os sensores automáticos, então tocas até te sair um jactozito de água fresca, e consegues sabão, lavas-te numa posição do corcunda de Notre Dame para a mala não resvalar e ficar debaixo da água.

Nem sequer usas o secador, é uma porcaria inútil, pelo que no fim secas as mãos nas tuas calças - porque não vais gastar um lenço de papel para isso - e sais...

Nesse momento vês o teu namorado, ou marido, que entrou e saiu da casa de banho dos homens e ainda teve tempo para ler um livro de Jorge Luís Borges enquanto te esperava.

"Mas por que é que demoraste tanto?" - pergunta-te o idiota.

"Havia uma fila enorme" - limitas-te a dizer.

  E é esta a razão por que nós, as mulheres, vamos à casa de banho em grupo. Não há mistério! Pura solidariedade! Já que uma segura na carteira e no casaco, a outra segura a porta e assim fica muito mais simples e rápido já que a única coisa em que temos que nos concentrar é em manter "a posição" e a dignidade.
 Obrigada, do fundo do coração, a todas as minha amigas que já me acompanharam ao W.C.

( Leiam isto aos vossos homens que sempre perguntam "querida, por que motivo demoraste tanto tempo na casa de banho?")

quinta-feira, julho 26


26 de Julho...Dia dos Avós

A arte de ser avó



Quarenta anos, quarenta e cinco.
Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem suas alegrias, as sua compensações - todos dizem isso, embora você pessoalmente, ainda não as tenha descoberto - mas acredita.
Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade.
Não de amores nem de paixão; a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências. A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança no seu pescoço. Choro de criança. O tumulto da presença infantil ao seu redor. Meu Deus, para onde foram as suas crianças? Naqueles adultos cheios de problemas, que hoje são seus filhos, que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento e prestações, você não encontra de modo algum as suas crianças perdidas. São homens e mulheres - não são mais aqueles que você recorda.
E então, um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis - nisso é que está a maravilha. Sem dores, sem choro, aquela criancinha da sua raça, da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino que se lhe é "devolvido". E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito sobre ele, ou pelo menos o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário, causaria escândalo ou decepção, se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor que há anos se acumulava, desdenhado, no seu coração.
Sim, tenho a certeza de que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes, que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis.


No entanto! Nem tudo são flores no caminho da avó. Há, acima de tudo, o entrave maior, a grande rival: a mãe. Não importa que ela, em si, seja sua filha. Não deixa por isso de ser a mãe do neto. Não importa que ela hipocritamente, ensine a criança a lhe dar beijos e a lhe chamar de "vovózinha" e lhe conte que de noite, às vezes, ele de repente acorda e pergunta por você. São lisonjas, nada mais. No fundo ela é rival mesmo. Rigorosamente, nas suas posições respectivas, a mãe e a avó representam, em relação ao neto, papéis muito semelhantes ao da esposa e da amante nos triângulos conjugais. A mãe tem todas as vantagens da domesticidade e da presença constante. Dorme com ele, dá-lhe banho, veste-o, embala-o de noite. Contra si tem a fadiga da rotina, a obrigação de educar e o ônus de castigar.
Já a avó não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto. Mora em outra casa. Traz presentes. Faz coisas não programadas. Leva a passear, "não ralha nunca". Deixa lambuzar de pirulito. Não tem a menor pretensão pedagógica. É a confidente das horas de ressentimento, o último recurso dos momentos de opressão, a secreta aliada nas crises de rebeldia. Uma noite passada em sua casa é uma deliciosa fuga à rotina, tem todos os encantos de uma aventura. Lá não há linha divisória entre o proibido e o permitido, antes uma maravilhosa subversão da disciplina. Dormir sem lavar as mãos, recusar a sopa e comer croquetes, tomar café, mexer na louça, fazer trem com as cadeiras na sala, destruir revistas, derramar água no gato, acender e apagar a luz elétrica mil vezes se quiser - e até fingir que está discando o telefone. Riscar a parede com lápis dizendo que foi sem querer - e ser acreditado!
Fazer má-criação aos gritos e em vez de apanhar ir para os braços do avô, e lá escutar os debates sobre os perigos e os erros da educação moderna...
 
E quando você vai embalar o neto e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz "Vó", seu coração estala de felicidade, como pão ao forno.
E o misterioso entendimento que há entre avó e neto, na hora em que a mãe castiga, e ele olha para você, sabendo que, se você não ousa intervir abertamente, pelo menos lhe dá sua incondicional cumplicidade.
Até as coisas negativas se viram em alegrias quando se intrometem entre avó e neto: o bibelô de estimação que se quebrou porque o menino - involuntariamente! - bateu com a bola nele. Está quebrado e remendado, mas enriquecido com preciosas recordações: os cacos na mãozinha, os olhos arregalados, o beicinho pronto para o choro; e depois o sorriso malandro e aliviado porque "ninguém" se zangou, o culpado foi a bola mesma, não foi, vó? Era um simples boneco que custou caro. Hoje é relíquia: não tem dinheiro que pague.

Rachel de Queiroz

quinta-feira, julho 12


Chapéu violeta


Aos 3 anos:   Ela olha para si mesma e vê uma rainha;

Aos 8 anos:   Ela olha para si e vê a Cinderela;

Aos l5 anos:   Ela olha e vê uma freira horrorosa;

Aos 20 anos:   Ela olha e se vê muito gorda; muito magra; muito alta; muito baixa; muito liso; muito encaracolado, decide sair, mas...vai sofrendo;

Aos 30 anos:   Ela olha para si mesma e vê muito gorda; muito magra; muito alta; muito baixa; muito liso; muito encaracolado, mas decide que agora não tem tempo pra consertar então vai sair assim mesmo;

Aos 40 anos:   Ela se olha...vê muito gorda; muito magra; muito alta; muito baixa; muito liso; muito encaracolado, mas diz: pelo menos eu sou limpa e sai mesmo assim...

Aos 50 anos:   Ela olha para si mesma e vê – eu sou – e vai para onde ela bem entender...

Aos 60 anos:   Ela se olha e lembra de todas as pessoas que não podem mais se olhar...sai de casa e conquista o mundo...

Aos 70 anos:   Ela olha para si e vê sabedoria, risos, habilidades, sai para o mundo e aproveita a vida...

Aos 80 anos:   Ela não se incomoda mais em se olhar...põe simplesmente um chapéu violeta e vai se divertir com o mundo...”

 Talvez  devêssemos pôr  aquele chapéu violeta mais cedo!

Mario Quintana

quarta-feira, junho 20

Não se esconda atrás de um falso sorriso.
 Você tem o direito de não estar bem.
"Paulo Coelho "